You are currently browsing the monthly archive for julho 2009.
Assim que fechei a porta do carro, percebi que a chave tinha ficado dentro. O flanelinha já tava em cima cobrando 5 reais (grrr, falei que pagaria na volta) e não pude nem fazer um muxoxo pra ele não perceber que o carro ficaria ali com a chave na ignição. Isso foi no estacionamento do Vivo Rio, fui assistir ao show da Rita Ribeiro e Tecnomacumba sexta à noite, presente dos sogros. Eu não conhecia as músicas mas gostei muito de conhecer a misturada deles. Mastiga o chiclete e engole a banana!
Sábado de manhã, aquela preguiça de acordar cedo e tive que ir lá resgatar a lancha (apelido do veículo) com a chave reserva antes de ir tocar na feira. Nós do Choro na Feira combinamos sempre de chegar mais ou menos umas 11h pra tocar. Mas sempre atrasa. Saí de casa numa hora boa, mas estava sem dinheiro, tive que descer Santa Teresa a pé. Na Mem de Sá peguei um táxi que entrou numa rua sem necessidade e deu de cara com um caminhão que só de vez em quando andava pra frente. Resumindo, muito esforço pra chegar 12:30 na feira. Ao sair do carro, percebi que chuviscava e, quando chove, a gente não toca.
Estavam lá no banco da praça o Marcelo, o Franklin, o Domingos e o Sami. Já haviam tocado um pouco mas pararam quando começou a pingar. Como que assistissem ao sábado sem pressa de concluir o que seria daquela tarde, fizeram cara de felizes quando eu cheguei. A chuva tinha sido só um espirro de São Pedro, então recomeçamos o som, agora com o pandeiro. 
Tem dias que esse som na feira é muito especial e aquele sábado era um desses. Pra mim, especialmente o Franklin estava muito inspirado nos improvisos da flauta. Música é uma coisa meio misteriosa, concordam? Não sei explicar por que os improvisos aquele dia estavam especiais, mas estavam, e não era só eu que percebia, o público da praça também pois aplaudiam no meio das músicas. Quando um improviso é muito bom, é como se o instrumento falasse com a gente uma coisa muito incrível mas que a razão não entende. A gente vibra porque entendemos tudo sem ter entendido nada.
Enquanto eu tocava, chegou uma moça com um filho de uns 5 ou 6 anos agarrado na perna. Ela disse - Ele tá com vergonha, mas quer de qualquer maneira te entreguar esta rosa… A rosa era rosa. Eu peguei, dei um beijo na mãozinha dele e agradeci. A cara da mini gente foi impagável. Deixei a flor do meu lado e continuei tocando, muitíssimo feliz com o meu presente. Daqui a pouco a mãe veio de novo - Ele quer saber se você vem de novo sábado que vem… Conclusão: Ganhei um mini fã!!!!!!!!!! Mas pode ser que ele já tenha esquecido de mim, um mini fã deve ser muito volúvel.
Ontem foi dia de feira de novo e, sem saber que o resto do grupo não poderia ir, fomos só eu e Franklin. Fizemos um duo de pandeiro e flauta. Confesso que fiquei meio sem graça de fazer um dueto tão inusitado mas o Franklin quis, eu obedeço. No início foi estranho mas logo me acostumei com a sonoridade magrinha e comecei a curtir. Foi diferente.
Se vale a pena acordar cedo no sábado?
Assim dizia o meu pai. Era uma das frases que ele mandava do nada. Não tinha um sentido claro, nem a ver com um assunto que estava sendo falado. Combinava com um silêncio qualquer, na fila de um cinema ou ao sentarmos num restaurante: _Graaandes possibilidades. A entonação era de um suspiro de “ai, ai”. Mas sério, como se as possibilidades fossem realmente grandes. Não sei explicar, era engraçado e gostoso de ouvir. Ele estava feliz.
Dois de julho, hoje pela décima terceira vez, a Terra está no mesmo lugar em relação ao Sol. Compliquei? Nada de mais. Quem perdeu uma pessoa assim tão amada sabe que esse choro não é exatamente de tristeza, nem de saudade. É um choro que simplesmente se mostra, porque vive dentro da gente. E é bom. Bom que apareça de vez em quando.
_Eles estão desesperados!!! Nas partidas de vôlei que jogava toda semana, ele gritava (como o próprio desesperado) por estar perdendo ou por estar ganhando, tanto faz, implicando com os adversários. Às vezes eu tento mandar essa nas peladas que eu jogo, mas ninguém acha graça.
“No fundo do peito a infância é um desmaio/ no mundo redondo rodando num raio/ a vertigem da vida que vem e que vai”
Estes são versos da música do Catoni com o Sérgio Fonseca, chamada Vertigem, que gravei no meu cd. As palavras do Sérgio Fonseca, do meu jeito, a cada dia eu entendo e gosto mais.
O Tuninho me ligou e disse pra eu ir no estúdio hoje fazer uma audição do cd, pode ser que esteja pronto pra masterizar… será?? Sem ansiedade e com todo amor que esse trabalho merece, ouvirei pela primeira vez mixadas as 12 faixas do meu primeiro disco solo.
Graaandes possibilidades!
