Assim dizia o meu pai. Era uma das frases que ele mandava do nada. Não tinha um sentido claro, nem a ver com um assunto que estava sendo falado. Combinava com um silêncio qualquer, na fila de um cinema ou ao sentarmos num restaurante: _Graaandes possibilidades. A entonação era de um suspiro de “ai, ai”. Mas sério, como se as possibilidades fossem realmente grandes. Não sei explicar, era engraçado e gostoso de ouvir. Ele estava feliz.
Dois de julho, hoje pela décima terceira vez, a Terra está no mesmo lugar em relação ao Sol. Compliquei? Nada de mais. Quem perdeu uma pessoa assim tão amada sabe que esse choro não é exatamente de tristeza, nem de saudade. É um choro que simplesmente se mostra, porque vive dentro da gente. E é bom. Bom que apareça de vez em quando.
_Eles estão desesperados!!! Nas partidas de vôlei que jogava toda semana, ele gritava (como o próprio desesperado) por estar perdendo ou por estar ganhando, tanto faz, implicando com os adversários. Às vezes eu tento mandar essa nas peladas que eu jogo, mas ninguém acha graça.
“No fundo do peito a infância é um desmaio/ no mundo redondo rodando num raio/ a vertigem da vida que vem e que vai”
Estes são versos da música do Catoni com o Sérgio Fonseca, chamada Vertigem, que gravei no meu cd. As palavras do Sérgio Fonseca, do meu jeito, a cada dia eu entendo e gosto mais.
O Tuninho me ligou e disse pra eu ir no estúdio hoje fazer uma audição do cd, pode ser que esteja pronto pra masterizar… será?? Sem ansiedade e com todo amor que esse trabalho merece, ouvirei pela primeira vez mixadas as 12 faixas do meu primeiro disco solo.
Graaandes possibilidades!

15 comentários
Feed de comentários deste artigo
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 7:38 am
Vanessa
Mais um texto delicioso !!!
Adorei a revista !!!
Grandes possibilidades !!!!
Um beijo da Chinaaaaaaaa
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 11:47 am
Leonardo
É! Mais um texto ótimo! Parabéns! Beijos
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 12:06 pm
Mamãe
minhas recordaçoes do seu pai sao outras : umas muito boas e outras nem tanto . mas hoje passei na igreja e mandei rezar uma missa para ele e pedi para avisar la no ceu que ele vai ter uma neta chamada zara.
quanto ao orgulho de mae , que voce sente pela revista , voce pode imaginar o orgulho que eu sinto por voce , pelos seus projetos, pela escrita bem humorada e cheia de sentimentos , que voce passa tao bem .
eu desejo sucesso a revista, ao cd solo – do qual so conheço uma musica que adoro – e acho que voce devia tentar a cronica ,
voce tem graaaaandes posibilidades …
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 4:02 pm
Pedro Paulo Malta
Lindo texto, Magallanes!!!
…e muito valorizado pelo comentário orgulhoso de sua mãe.
Um beijão (com grande curiosidade pra ouvir o CD),
PP
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 5:10 pm
Paula
oi, Clau. Q lindo esse texto; fiquei emocionada. Palavras reveladoras de um jeito bonito e singular de sentir. Muito bonito mesmo. bjokas da amiga, Paul.
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 8:38 pm
kede
Clarice
Posso ter ciumes de seu pai? Não responda, não vai adiantar nada.
Essa é a primeira vez que entro em um blog ( é assim ?).Aliás eu acho o nome blog , horroroso.
Na votação que fiz , daquelas frases , eu acho que realmente , no sentido filosofico é muito pirado, ou melhor é muito filosofico, alguem amar quem não existe.Aliás, os filosofos dizem que você nem pode conhecer quem não existe, imagine amar.Eu tô filosofando.Mas a melhor frase para mim foi a da cor de rosa. Lí tudo o que você escreveu.Gostei de mais de seu estilo, conciso e claro, alegre e sério, às vezes irreverente , às vezes irônico. Muuuito bom. Vou te acompanhar
Um enorme beijo
Kede
2 02UTC julho 02UTC 2009 às 11:34 pm
dindo
Doce KiKi, meu olhos transbordaram lembrando dos vários “_Graaandes possibilidades” e “_Eles estão desesperados!!!” dos quais tive o prazer de compartilhar com o Carlos Henrique. Ainda hoje me pego repetindo gestos ou frases dele. É como uma homenagem. Mudando de assunto, quando o cd estiver pronto, reserva uns 10 pra mim (antes de esgotar). Não falei ainda que você está _Muuuuuuuuuito Liiiiiiinda. beijo grande do dindo.
3 03UTC julho 03UTC 2009 às 12:52 pm
Clarissa
Texto lindo!
3 03UTC julho 03UTC 2009 às 2:28 pm
andrea
poxa, clarice, tô tão emotiva…. meus olhos marejaram… com o texto, os comentários…
frase sábia: grandes possibilidades!!!
beijo
3 03UTC julho 03UTC 2009 às 7:42 pm
Ju Prado
Grandes possibilidades sim!! Tô animada!!
E eu acharia graça da frase certamente, se jogasse vôlei comigo certamente vc mandaria essa frase, e faria todo sentido!!
Perto dos nossos trinta anos esse texto é de uma importância singular…
Imagino o quanto foi importante escrevê-lo.
bjo grande.
3 03UTC julho 03UTC 2009 às 11:38 pm
Aninha
Clau voce esta uma escritora profissional o seu texto transbordou emocao!
Beijinho,
Aninha
4 04UTC julho 04UTC 2009 às 8:01 pm
Vivianny
É verdade, não pude conter as minha lágrimas quando li o seu texto, pois concordo plenamente com tudo o que você disse. No dia dois de julho deste ano, vi que realmente já se completaram 13 anos que ele despidiu-se de nós deixando um espaço enorme vazio em nossos corações, mas com certeza ele está lá de cima olhando por nós, torcendo e ficando feliz com as nossas “grandes possibilidaes” que com muita luta e perceverança transformamos em realidades. Fico feliz por você estar gravando o seu CD solo e tb por ser titia (dê parabéns a Leticia por mim).
Mil beijos e grandes possibilidades para todos nós.
4 04UTC julho 04UTC 2009 às 8:55 pm
jussara ferreira da silva
Eu ja escrevi em algum lugar que não sei onde, não vou me repetir, é só pra registrar, sempre acompanho o que voce faz, diz, ou escreve, e sou fã, quanto ao seu ao seu pai, o primeiro paragráfo é exatamente o que Ele fazia aki no Esporte Clube Marica, lembra… bjkas
Jussara
Obs.: Saúde e muitas felicidades para a ZARA, Ele seria o Vô, mais bobo do mundo
4 04UTC julho 04UTC 2009 às 11:45 pm
Gisele Maia
Clarice, mais um texto lindo! Fiquei emocionada.
Concordo com a sua mãe que você tem graaandes possibilidades com a crônica. E também estou curiosa em relação ao CD!
Beijos muito muito carinhosos
6 06UTC julho 06UTC 2009 às 2:21 am
Marcos Cavalcanti
Clarice, pra você deve parecer banal escrever e fazer as pessoas se emocionarem e sorrirem num mesmo parágrafo! Como quem te vê batendo no seu pandeiro parece uma coisa facinha, facinha. Teu texto e teu pandeiro me fizeram lembrar o Pelé (sim eu vi o Pelé jogar, do alto dos meus 50 anos…): ele também fazia parecer muito fácil jogar futebol! E também nos emocionava! Em resumo: você é Pelé no pandeiro e na escrita! Virei fã do blog! (Já era fã da percussionista e cantora!)
Beijos coroalisticos!