Assim que fechei a porta do carro, percebi que a chave tinha ficado dentro. O flanelinha já tava em cima cobrando 5 reais (grrr, falei que pagaria na volta) e não pude nem fazer um muxoxo pra ele não perceber que o carro ficaria ali com a chave na ignição. Isso foi no estacionamento do Vivo Rio, fui assistir ao show da Rita Ribeiro e Tecnomacumba sexta à noite, presente dos sogros. Eu não conhecia as músicas mas gostei muito de conhecer a misturada deles. Mastiga o chiclete e engole a banana!
Sábado de manhã, aquela preguiça de acordar cedo e tive que ir lá resgatar a lancha (apelido do veículo) com a chave reserva antes de ir tocar na feira. Nós do Choro na Feira combinamos sempre de chegar mais ou menos umas 11h pra tocar. Mas sempre atrasa. Saí de casa numa hora boa, mas estava sem dinheiro, tive que descer Santa Teresa a pé. Na Mem de Sá peguei um táxi que entrou numa rua sem necessidade e deu de cara com um caminhão que só de vez em quando andava pra frente. Resumindo, muito esforço pra chegar 12:30 na feira. Ao sair do carro, percebi que chuviscava e, quando chove, a gente não toca.
Estavam lá no banco da praça o Marcelo, o Franklin, o Domingos e o Sami. Já haviam tocado um pouco mas pararam quando começou a pingar. Como que assistissem ao sábado sem pressa de concluir o que seria daquela tarde, fizeram cara de felizes quando eu cheguei. A chuva tinha sido só um espirro de São Pedro, então recomeçamos o som, agora com o pandeiro. 
Tem dias que esse som na feira é muito especial e aquele sábado era um desses. Pra mim, especialmente o Franklin estava muito inspirado nos improvisos da flauta. Música é uma coisa meio misteriosa, concordam? Não sei explicar por que os improvisos aquele dia estavam especiais, mas estavam, e não era só eu que percebia, o público da praça também pois aplaudiam no meio das músicas. Quando um improviso é muito bom, é como se o instrumento falasse com a gente uma coisa muito incrível mas que a razão não entende. A gente vibra porque entendemos tudo sem ter entendido nada.
Enquanto eu tocava, chegou uma moça com um filho de uns 5 ou 6 anos agarrado na perna. Ela disse - Ele tá com vergonha, mas quer de qualquer maneira te entreguar esta rosa… A rosa era rosa. Eu peguei, dei um beijo na mãozinha dele e agradeci. A cara da mini gente foi impagável. Deixei a flor do meu lado e continuei tocando, muitíssimo feliz com o meu presente. Daqui a pouco a mãe veio de novo - Ele quer saber se você vem de novo sábado que vem… Conclusão: Ganhei um mini fã!!!!!!!!!! Mas pode ser que ele já tenha esquecido de mim, um mini fã deve ser muito volúvel.
Ontem foi dia de feira de novo e, sem saber que o resto do grupo não poderia ir, fomos só eu e Franklin. Fizemos um duo de pandeiro e flauta. Confesso que fiquei meio sem graça de fazer um dueto tão inusitado mas o Franklin quis, eu obedeço. No início foi estranho mas logo me acostumei com a sonoridade magrinha e comecei a curtir. Foi diferente.
Se vale a pena acordar cedo no sábado?

9 comentários
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14 14UTC julho 14UTC 2009 às 11:56 pm
Leticia
Lógico que vale! Todo ano espero anciosa pra meus poucos sábados no Rio de Janeiro para curtir a feira.
Eu me lembro como se fosse ontem de vc acordando cedo, depois de uma noitada na Lapa, com o telefonema da Inêz. E saindo correndo pra General Glicério sem saber direito onde vc estava se metendo. Não valeu a pena?! :-)
15 15UTC julho 15UTC 2009 às 1:31 pm
Gisele Maia
Estou me sentindo mais pilantra ainda por nunca ter ido te ver tocar na feira.
Que lindo o seu mini fã! Duvido que seja mesmo tão volúvel e aposto que qualquer sábado desses ele reaparece com outra rosa.
E que você sempre ache que escrever, assim como acordar cedo no sábado, vale a pena. Os fãs do choro, da feira e das letras, de todas as idades, agradecem.
Beijo
15 15UTC julho 15UTC 2009 às 9:36 pm
Sandor Buys
Oi Clarice,
Eu tive a satisfação de estar presente neste dia. Veja os caminhos: Eu queria ter umas palavras com a Ignez Perdigão sobre umas músicas e pensei em procurá-la no Choro na feira (eu já tive aulas com ela há uns anos atrás). Como o dia estava chuvoso, lembrei de entrar na comunidade de vocês no Orkut, mas não tinha nenhuma notícia atualizada. Então … aquelas coisas de internet … fui “fuxicando” umas coisas e outras e acabei descobrindo seu blog e que você está para lançar um disco, ouvi umas gravações no youtube e tudo mais (bacana !). Então apostei no bom tempo e parti sozinho da Vila Isabel pra Laranjeiras e valeu a pena. Realmente foram muito inspirados os improvisos do Franklin; acho que ele e o Bernardes têm um “diálogo” tocando juntos que é bem especial. Não falei com a Ignez daquela vez, mas fiquei bem feliz. Vocês são ótimos e merecem muitas rosas.
Parabéns pelo CD !
16 16UTC julho 16UTC 2009 às 12:53 pm
andrea
Ah!!! sempre vale a pena a gente acordar cedo no sábado. o problema é que as vezes o sábado é que não acorda!!!
lindo post!
beijos
16 16UTC julho 16UTC 2009 às 2:53 pm
Fito Bucha
Hei! A pergunta que não quer calar é: o mini-fã foi no sábado seguinte? A vantagem dos mini fãs é que depois eles viram big fãs.
16 16UTC julho 16UTC 2009 às 10:25 pm
Clarice
Ele não voltou!! (que eu tenha visto)
Minha explicação: a big mãe ficou com ciúme e não o levou…
hahaha
28 28UTC julho 28UTC 2009 às 3:56 pm
Luciana
Oi Clarice…
De novo.. eu te mandando umas mensagens do nada! Resolvi ler seu blog hoje.. depois de muito tempo porque quero te contar uma novidade!!!!! Eu tô gravando meu primeiro CD também. Eu moro em Recife, sexta-feira da semana passada entrei no estúdio pra iniciar as gravações. Assim que estiver pronto… eu aviso.. passo o link.. já sabe! : )
Falando nisso.. o seu deve estar uma pérola?!?! E ele já vai ser remasterizado?!?! Ta pronto?
Meninaaaaa, fica bem.. tudo do melhor procê nessa vida!!!! E da próxima vez que for ao Rio CONSIGO te ver! : )
Mas mesmo assim.. to mesmo que de longe só mentalizando o melhor! Muitos beijos procê.
E sua resposta: SEMPRE VALE A PENA. E quem dera não fosse só aos sábados e que tivesse um teletransporte pra ser na feirinha aqui perto de casa logo na sequencia! : ) Ai ai esse mundo é pequeno demais pros meus desejos!
Saudades.
Lu
10 10UTC agosto 10UTC 2009 às 10:38 pm
kede
Eu não sou um minifã( é assim?).Por isso eu sou seu fã até, até.Não sei. Até um dia que eu não possa dizer até.Isso não é paixão.A paixão é do mini fã que é intensa mas acaba logo.O meu, é amor que demora muuuito.Mas também. só um pai orgulhoso , tem desses amores. será ?Sabe, como árabe eu acho que tudo está escrito, MAKTUB .Tenho que agradecer a ALAH ter ingressado numa família maravilhosa e ter uma filha como você. Alah sabe o que faz.
Kede
10 10UTC fevereiro 10UTC 2010 às 10:56 am
Sonara
amei teu blog…e tu é magalhaes..assim como eu..amo o nome Clarice…e Clarice Lispector mais aind* rsrsrsrrs
beijos*