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Em algum dia de anos atrás investi um tempo ensinando meu amigo Moreno Veloso a sambar feito carioca. E ele me ensinou a sambar que nem o baiano de Santo Amaro. Graças a ele eu tiro onda de saber sambar feito santo-amarense até hoje.

Este é o motivo de eu ter sido ligeiramente citada no vídeo abaixo – a menina Clarice, no min 1:37, sou eu! – no meio de uma explanação do Moreno sobre a diferença entre o jeito carioca e o baiano de sambar.

Eles (Moreno e Caetano) explicam a diferença dos pés no tempo forte de um jeito de sambar e de outro. Pra tentar entender o que eles falam, é bom ter uma noção mínima de tempo na música… Toda música tem um pulso: na canção Parabéns pra você, por exemplo, é aonde marcamos as palmas.  No samba, basicamente, neste pulso estão as pancadas do surdo. No vídeo eles chamam este pulso do samba de “tempo forte”.

Agora vamos à minha versão do que eles explicam: pra mim, a diferença básica é que o baiano marca o pulso levando os pés à frente (calcanhar ou peito do pé) e, o pulso no “sambar carioca” está atrás, com o apoio nas costas. Isso na dança de mulher carioca, pois os homens, pelo menos no Rio, sambariam diferente.

Outra diferença importante é que a carioca requebra não só os quadris mas também a parte de cima do corpo, mexendo ombros e braços. Pelo que eu entendi do samba baiano, mexe-se mais da cintura pra baixo.

É muito provável que eu tenha reinventado um pouco do que o Moreno me ensinou, fazendo um jeito carioca de sambar santo-amarense e ele idem ao contrário… Mesmo assim valeu quebrar a cabeça pra tentar identificar as sutilezas de cada cultura.

Juramos, como artistas e educadores, dedicar o melhor de nós mesmos pela difusão da arte em nossa pátria, contribuindo assim, para o aperfeiçoamento do nosso povo em prol da cultura artística da humanidade.

jura6Quinta feira eu li este juramento, bem pausadamente ao microfone, para que os meus amigos formandos  pudessem repetir todos juntos em seguida. Ahhhh, que emoção!!! Amei ficar com essa parte. Parecia ser a parte que tinha sobrado pra mim das tarefas que precisavam de alguém pra fazer. Depois descobri que é genético. A minha mãe, que estava lá assistindo, falou -Fui eu que li o juramento da minha turma de engenheiros na UFRJ! -É, mãe? Que coincidência! Mas aí a minha irmã (que mora em Chicago) ligou enquanto estávamos no restaurante onde fomos comemorar a minha formatura e disse: -Você leu o juramento? Que legal! Eu também li o da minha turma de designers na PUC!

Gostei mais ainda por ser genético. Juro que quando eu fui tocar no dia seguinte fiquei lembrando do meu compromisso com a humanidade… Sim, sou piegas. Toquei no apartamento de uma senhora que havia ficado viúva há uns meses. Ela contratou um quarteto de chorinho pra tocar no jantar que oferecia aos amigos, naquela que era a data do aniversário do marido que morrera. O jantar estava uma delícia (muito importante observação), ficamos perto da porta de entrada da sala. As pessoas conversavam muito, às vezes aplaudiam. Mas dava pra ver que a música dava o toque de alegria ao encontro. E dei o melhor de mim pela difusão da arte em nossa pátria… Ou a arte de nossa pátria acabou difundindo o melhor de nós, em memória do falecido? Tanto faz.

Na colação conseguimos nos organizar de última hora pra tocar algumas músicas. Tinha a ver, né… Apresentamos dois sambas, um foi o lindo “Recado ao poeta” (Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro) cantado pela Nayana Torres, comigo no pandeiro, Henrique Martins no violão e Rodrigo Marsillac ao piano (todos formandos). O outro foi “Teste ao samba” (Paulo da Portela), que eu cantei:

Vou começar a aula
Perante a comissão
Muita atenção! Eu quero ver
Se diplomá-los posso
Salve o fessor!
Dá nota a ele senhor
Quatorze com dois, doze
Noves fora tudo é nosso


Cem divididos por mil
Cada um com quanto fica?
Não pergunte à caixa surda
Não peça cola à cuíca

Lá no morro
Vamos vivendo de amor
Estudando com carinho
O que nos passa o professor

Falando em “fessores”… sexta (dia 7) começarei mais uma turma de pandeiro lá na Mem de Sá. Vamos pandeirar?

Ah, não quero deixar de mostrar este vídeo. Na mesma sexta feira do jantar da simpática viúva, a Mariana Bernardes almoçou comigo e me mostrou: Bobby McFerrin e Maria João improvisando só com as vozes… Valeu, Mari! Sou sua fã.

Sobre o meu cd: ainda este ano ele nasce. Fé!

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