Em algum dia de anos atrás investi um tempo ensinando meu amigo Moreno Veloso a sambar feito carioca. E ele me ensinou a sambar que nem o baiano de Santo Amaro. Graças a ele eu tiro onda de saber sambar feito santo-amarense até hoje.
Este é o motivo de eu ter sido ligeiramente citada no vídeo abaixo – a menina Clarice, no min 1:37, sou eu! – no meio de uma explanação do Moreno sobre a diferença entre o jeito carioca e o baiano de sambar.
Eles (Moreno e Caetano) explicam a diferença dos pés no tempo forte de um jeito de sambar e de outro. Pra tentar entender o que eles falam, é bom ter uma noção mínima de tempo na música… Toda música tem um pulso: na canção Parabéns pra você, por exemplo, é aonde marcamos as palmas. No samba, basicamente, neste pulso estão as pancadas do surdo. No vídeo eles chamam este pulso do samba de “tempo forte”.
Agora vamos à minha versão do que eles explicam: pra mim, a diferença básica é que o baiano marca o pulso levando os pés à frente (calcanhar ou peito do pé) e, o pulso no “sambar carioca” está atrás, com o apoio nas costas. Isso na dança de mulher carioca, pois os homens, pelo menos no Rio, sambariam diferente.
Outra diferença importante é que a carioca requebra não só os quadris mas também a parte de cima do corpo, mexendo ombros e braços. Pelo que eu entendi do samba baiano, mexe-se mais da cintura pra baixo.
É muito provável que eu tenha reinventado um pouco do que o Moreno me ensinou, fazendo um jeito carioca de sambar santo-amarense e ele idem ao contrário… Mesmo assim valeu quebrar a cabeça pra tentar identificar as sutilezas de cada cultura.

6 comentários
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21 21UTC agosto 21UTC 2009 às 2:58 pm
andrea
chic, tu, hein?!
eu sou mineira e adoro sambar.
bahiano ou carioca, o samba mora no pé!
beijos
4 04UTC setembro 04UTC 2009 às 12:30 pm
Fito Bucha
Já eu, me encarrego de espalhar a vergonha por todo o mundo. É sempre assim. Viajo para algum lugar fora do país e os olhos de todos brilham quando digo que sou brasileiro. Chega a ofuscar a vista quando completo dizendo que sou carioca. No alto do cume, o encantamento murcha imediatamente quando da decepção do carioca que não samba, coisa que um gringo não consegue compreender. Dão as costas quando, num golpe de misericórdia, confesso a inabilidade com uma bola de futebol. “Mas é que eu sou goleiro!”, justifico. Tarde demais! =]
6 06UTC setembro 06UTC 2009 às 8:01 pm
Clarice
Nessa hora você tem que pegar o pandeiro, se ajoelhar de uma perna e humilhar com as platinelas!
14 14UTC setembro 14UTC 2009 às 8:46 am
Taitai
Aqui na China, samba e OVNI é quase a mesma coisa, mas que tá no sangue, ah táááááá…quando escuto um sambinha assim de longe quando vejo meus quadris já estão requebrando sozinhos…
Aí que saudade que tenho da Bahia !!!!! Do Rio, terra amada…nem fala.
Bjs
Taitai
14 14UTC setembro 14UTC 2009 às 11:33 am
Alex
ki, gostei demais da explicação. bj grande! com saudade
21 21UTC setembro 21UTC 2009 às 12:00 am
flavia
hahahahha
muito bom!