Em algum dia de anos atrás investi um tempo ensinando meu amigo Moreno Veloso a sambar feito carioca. E ele me ensinou a sambar que nem o baiano de Santo Amaro. Graças a ele eu tiro onda de saber sambar feito santo-amarense até hoje.

Este é o motivo de eu ter sido ligeiramente citada no vídeo abaixo – a menina Clarice, no min 1:37, sou eu! – no meio de uma explanação do Moreno sobre a diferença entre o jeito carioca e o baiano de sambar.

Eles (Moreno e Caetano) explicam a diferença dos pés no tempo forte de um jeito de sambar e de outro. Pra tentar entender o que eles falam, é bom ter uma noção mínima de tempo na música… Toda música tem um pulso: na canção Parabéns pra você, por exemplo, é aonde marcamos as palmas.  No samba, basicamente, neste pulso estão as pancadas do surdo. No vídeo eles chamam este pulso do samba de “tempo forte”.

Agora vamos à minha versão do que eles explicam: pra mim, a diferença básica é que o baiano marca o pulso levando os pés à frente (calcanhar ou peito do pé) e, o pulso no “sambar carioca” está atrás, com o apoio nas costas. Isso na dança de mulher carioca, pois os homens, pelo menos no Rio, sambariam diferente.

Outra diferença importante é que a carioca requebra não só os quadris mas também a parte de cima do corpo, mexendo ombros e braços. Pelo que eu entendi do samba baiano, mexe-se mais da cintura pra baixo.

É muito provável que eu tenha reinventado um pouco do que o Moreno me ensinou, fazendo um jeito carioca de sambar santo-amarense e ele idem ao contrário… Mesmo assim valeu quebrar a cabeça pra tentar identificar as sutilezas de cada cultura.