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Muitas vezes no final da discussão eu chego à conclusão: música é questão de gosto. Pra mim não tem essa de música boa e música ruim. Tem música que eu acho horrível, que não dá, me aflige. Mas entendo que se está tocando é porque alguém quer ouvir. Eu sei que a maioria discorda de mim. Música é cultura, está ligado ao afeto, à memória, à identidade, enfim… Não é pra julgar bom ou ruim, certo ou errado. É gosta ou não gosta.
Agora, tem aquelas ondas musicais que vem por motivos mercadológicos: grana e grana. A onda conquista ouvidos, corações, amantes fiéis, e rende muito. Pra poucos. Creio eu que felizmente as novas tecnologias, a internet, a
democratização do mercado fonográfico, tudo isso está fazendo essas ondas perderem força. Tudo leva a crer que, agora e cada vez mais, o ouvinte tem mais poder sobre o mercado, e mais escolhas.
Mas quero voltar algumas décadas, quando um compositor chamado Roberto Martins agradava a artistas e ouvintes na década de 40. Foi gravado pelos maiores intérpretes da época como Orlando Silva, Ciro Monterio e Nelson Gonçalves. Morreu em 1992 aos 83 anos, muito pouco conhecido por seu nome e sobrenome apesar de suas músicas famosas e de sua importância. Eis algumas de suas composições: Cadê o pandeiro?, Beija-me, Favela, Cadê Zazá?, Pedreiro Valdemar. Gosto muito.
Esta nota (acima) saiu na coluna “Gente Boa” do Jornal O Globo no dia 14 de agosto! A música gravada chama-se “Conta de Amor” (Roberto Martins e Waldemar Gomes). E o cd tá na fábrica!!!
