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Sabe a festa que comemorou ontem a vitória do Rio como cidade sede das Olimpíadas de 2016 na Praia de Copacabana?? Vejam só o que eu acabo de saber… O Dj Dodô Azevedo botou a música “Meu saravá” (Tuninho Galante/Marceu Vieira), que abre o meu CD, pra tocar para as 50 mil pessoas presentes!!!! Não consigo nem imaginar isso!! E se eu estou passando lá na hora?! Acharia que era um delírio!!!

O Dodô disse que tocou a minha música na situação acima...

O Dodô disse que tocou a minha música na situação acima...

Eu entreguei uma cópia da master nas mãos do Dodô – velho conhecido meu dos bailes da vida – coincidentemente no dia em que enviei o CD pra fábrica. Fui numa festa em que ele estava tocando, no Lagoinha, e dei a cópia sem sequer o nome das músicas, torcendo para que ele gostasse.

ELE GOSTOU!!!

Aproveito a incrível notícia para anunciar que a minha página do Myspace está abastecida com 3 músicas do CD mais falado deste blog. “Meu saravá”  é uma delas! As outras duas são a “Valsa noturna” (Pedro Holanda/Edu Krieger) e “Tempo bom” (Domenico Lancellotti/Clarice Magalhães).

foto: Pedro Kirilos|Riotur

DSC02781Semana passada eu tava aí, na inauguração desse terreiro lá em Quissamã. É o Espaço Cultural Antônio Morim. Não vai dá pra contar a história toda dessa festa, vou resumir no que é o Fado de Quissamã e por que eu estava lá.

Quissamã é uma cidade que fica no norte do estado do Rio. Lá existe o último grupo tocador de fado, um fado de origem afro-brasileira. Por mais inusitado que isso possa parecer, eu gravei um Fado de Quissamã no meu CD. A música chamada “Boi Surubim”, de autor desconhecido (aprendida pelos que cantam hoje por tradição oral), eu conheci num CD produzido pela Funarte, gravado na década de 80.

Entrei em contato com a prefeitura de lá através de Darlene Monteiro, não por acaso amiga do Tuninho Galante. Foi ela quem me avisou da festa em que o grupo se reuniria para tocar e dançar o Fado.  Era uma das poucas oportunidades de assisti-los ao vivo.

E lá fui eu. A formação intrumental do Fado são dois pandeiros e uma viola. Os dois pandeiristas cantam em vozes que se complementam (em terças, tipo dupla sertaneja). Os dançarinos são tão importantes quanto os músicos pois os homens batem com os pés no chão e batem palmas orquestradas com os tocadores. Além de encherem o salão de charme, é claro.

Seu Antônio Morim (na foto, com o microfone) era o anfitrião da festa. O lugar é praticamente o quintal de sua casa. Tornou-se um líder por seu entusiasmo e paixão pelo Fado. Morim tem uma peculiaridade intrigante para um exímio pandeirista: perdida na lida com a cana de açucar quando jovem, ele não tem a mão direita. Só percebe isso quem o vê tocar de perto pois o som que ele tira do pandeiro não diz que falta uma mão ali.

“Boi surubim” fecha o meu disco e estou muito orgulhosa disso, de com essa gravação fazer com que outros conheçam um pouco dessa riqueza brasileira. Morim, Darlene, e todo pessoal de Quissamã, muito obrigada pela noite inesquecível!

foto: Gilberto Fugimoto