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Já está à venda online pelo site da Multifoco, é só encomendar que eles mandam pra qualquer lugar do mundo! Com dedicatória : )
Te encontro no show de lançamento do Trapiche!!!
A ignorância é senhora de boas supresas. Não imaginei que Tel Aviv seria uma cidade tão comum para uma carioca. Culpa da má fama, das tá, das péssimas histórias que ouvimos. Mas até por isso Tel Aviv me é familiar. Uma cidade grande bonita à beira da praia e com clima super quente, cheia de histórias que não combinam com a paisagem.
A agenda do “Choro na Feira & Mariana Bernardes” compreendia 3 apresentações na cidade. O primeiro não poderia ser mais “estamos em casa” do que tocarmos numa feira livre, na rua. Foi diferente de Laranjeiras porque a produção armou bem mais infra estrutura do que temos aqui na General Glicério, foi mais show do que roda. De resto, a aglomeração em volta, as crianças, as canjas, tudo muito parecido com o que fazemos a quase 10 anos aqui no Rio.
Uma das coisas mais legais que aconteceram na viagem foi conhecermos os músicos brasileiros e israelenses que tocam música brasileira lá. O grupo Chorole (formado por metade brasileiros, metade israelenses) abriu nosso segundo show, que aconteceu numa casa noturna chamada “Zappa Hertzelia”, algo tipo um Mistura Fina aqui do Rio, só que um pouco maior.
Oded Aloni, o percussionista, toca pandeiro há menos de 3 anos e é uma coisa incrível. Quando eu já estava meio deprimida por ver que não teria nada para ensiná-lo, ele percebeu uma coisa que eu faço que ele nunca tinha visto (ufa!). Pude ensiná-lo também a grafia que eu uso pra escrever para pandeiro que é super legal, acho que ele gostou. Oded faz parte de um grupo que toca música “brasileira” autoral, cantada em hebraico. Quando imaginaríamos uma coisa dessas? Ele me deu um CD de presente e é muito bom!

Final do show em Jaffa. Foto: Ariel Gour-Arie
A mini temporada do Choro na Feira em Israel foi um convite da embaixada brasileira em Tel Aviv. Eles estão sempre promovendo este maravilhoso intercâmbio cultural entre Brasil e Israel através da música. O terceiro show foi fechado para convidados da embaixada no Teatro Arabe-Israelense, em Jaffa Antiga, uma cidade muito bonita considerada uma das mais antigas do mundo. No teatro muito aconchegante, um diretor árabe e outro judeu trabalham juntos só para provar que a paz pra eles “já é”.
Nas horas de folga ainda conseguimos visitar Jerusalém (obrigada Moshe!), conhecer o santo sepulcro, o Muro das Lamentações, mergulhar no mar Mediterrâneo… Foi mal, hein galera!! Ê vida dura!!
E a família Choro na Feira pousa em Paris para uma conexão que demoraria 11 horas no aeroporto até que pegássemos o voo para nosso destino final, Tel Aviv. Eu, Marcelo e Matias resolvemos encarar a oportunidade de darmos uma volta na cidade luz. Uma certa aventura já que estávamos bem cansados da longa viagem (eu não tinha dormido nada) e nossas roupas não eram adequadas à temperatura local: 1 grau.
Mas já na largada vimos que o passeio mais do que valeria a pena. No trem que pegamos do aeroporto para o centro da cidade, o tal do RER, a certa hora adentrou um sujeito com aparência de cigano. Nas mãos, um violino com uma espécie de corneta acoplada, diferente dos violinos comuns. Ele nos toca uma música bem alegre apesar de sua cara de sem novidades.
Foi então que resolvi que podíamos ser mais felizes naquele momento:
O cigano nos contou que seu instrumento é o mais popular da antiga Iuguslávia, seu país de origem, e tem esse formato diferente (sem corpo e com corneta) por ser assim mais barato que um violino comum. A música que tocamos lembra a nossa tradicional quadrilha, não sei como se chama pra eles.
Terminadas duas músicas em duo, o amigo continuou sua ronda pelos vagões. Eu, Marcelo e Matias saltamos na estação da fonte de São Michel, visitamos a Notredame, passeamos à beira do rio Siena… até que sentamos no banco de uma ponte e tocamos em trio: Marcelo Bernardes no clarinete, Matias Correa no tamborim e Clarice Magalhães no pandeiro! Não durou muito porque as mãos quase congelavam.
Ao público presente agradamos o suficiente para um modesto cachê de 2 euros, entregues em mãos por um transeunte que gostou do nosso som… Merci beaucoup!

